“Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: “Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?”. Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar” (Friedrich Nietzsche)
Comunicar não é, como muitos pensam, a habilidade de falar. Antes, é se dispor a uma troca, é estabelecer um ambiente onde um oferece algo para o outro e vice-versa. É um campo de intercessão, onde algo se preserva, mas algo se perde também, formando um terceiro plano, o plano comum que conecta as duas partes.
Tanto na comunicação conjugal quanto na comunicação com outras pessoas, é preciso estabelecer um lugar onde seja possível compartilhar vivências, repertórios, vontades e experiências.
Pois é, mas ninguém quer se dar ao exercício de ouvir, de se doar, de tentar entender o outro. Talvez seja preguiça intelectual; talvez seja medo, medo de sair de seu lugar confortável, onde suas convicções lhes sustentam e partir para o desconhecido, colocando em questão suas verdades preestabelecidas. E aí, enclausuram-se no porão de suas supostas certezas.
É preciso compreender que as percepções, as verdades, as crenças, os gostos, etc, etc e tal … tudo é subjetivo, depende dos olhos de quem vê. Por isso, devemos nos abster em determinados momentos de transmitir, transmitir, transmitir… numa comunicação unilateral sem fim. Como se só o que falamos ou pensamos fosse verdade e fosse o melhor.
Para um relacionamento saudável precisamos deixar de lado muitas vezes nossas vontades, não podemos tentar colocar no outro, roupas com as nossas medidas. Não adianta, não vai servir, porque cada um tem sua própria medida. E se forçarmos teremos duas possibilidades possíveis: ou o outro (cônjuge ou cliente) foge e você fica a ver navios ou você terá ao seu lado uma pessoa infeliz, pois estará anulando suas próprias vontades e desejos. Se bem que no caso do cliente é muito provável que você fique a ver navios.
Em vez de tentar moldar as pessoas conforme nossas medidas prontas, porque não conhecê-las melhor, desfrutar de suas opiniões, ouvir suas questões, compreender suas vontades. É como se fossemos visitar outros jardins, e lá colhemos outras flores, sentimos outros cheiros, vivemos o desconhecido que as pessoas têm a nos oferecer.
Isso tudo é possível com uma boa conversa, é só puxar uma cadeira, ir molhando a palavra com um café bem quentinho e se render ao diálogo… Bom que um assunto puxa o outro, que puxa o outro… e assim vai. Quanto mais se conversa, mais se amplia o campo de intercessão que disse no inicio deste texto, mais se estreita os laços, se adquire respeito, vai criando o espaço comum que aproxima as parte.
Pois então, seja com seu cônjuge, com seu cliente, ou quem for, a partir de hoje, entregue-se mais a arte da conversa e então descobrirá um novo mundo: O MUNDO DO OUTRO.
…mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar. (Friedrich Nietzsche)
FONTE : Radiologia e Inovação

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